Como tudo pode ser absolutamente imprevisível na vida e um pouco mais em Luanda, saímos do hotel com mais ou menos 5 horas de antecedência em relação ao horário do vôo para Joanesburgo.
Nos despedimos do insuperável Osvaldo ( que nos surpreendeu chegando antes do horário combinado e depois de ter ido pra farra, afinal ontem foi o Dia do Homem) e fizemos o check in na mais absoluta tranquilidade.
Quer dizer, a polícia federal confiscou meus 500 kwanzas, pois não se pode sair de Luanda levando a moeda local. Mas tudo bem fiquei com crédito por aqui, um recibo no valor que poderei sacar no banco caso algum dia eu retorne.
Com tempo de sobra fomos as compras no aeroporto, sim tem dutty free. Consegui comprar as bonecas que queria, mas não existe imã de geladeira, ou seja, minha coleção irá ficar desfalcada. Tudo bem, mais um teste sobre tolerância à frustração.
Vôo tranquilo, céu maravilhoso, chegamos em Joanesburgo. Eu e Ana nos despedimos de Felipe que seguiu para Nice e nos deixou várias recomendações.
Seguindo as recomendações chegamos super bem no hotel Balalaika. Uau, que hotel, que comida, que lugar!!
Joanesburgo é linda, pelo menos, o pouco que vimos no trajeto aeroporto hotel causou uma mega boa impressão e o desejo de ficar alguns dias. Porém, a saudade da família e amigos e os compromissos profissionais nos fazem voltar amanhã para o Rio de Janeiro.
Volto em paz com a mala carregada de gratidão por tudo que vivi em um pedacinho da África.
sábado, 2 de abril de 2011
Luanda 01/04/2011
Hoje é o nosso último dia em Luanda e começamos indo ao mercado da escravatura para comprar "camisolas" de times locais.
O mercado é um espaço de artesanato local e mais algumas coisas, dentre elas as tais camisas.
Por aqui é o homem que faz esculturas, pinturas e bijuterias.
Por falar em homem, toda sexta-feira é o Dia do Homem, o que significa que os sortudos podem fazer o que bem entender, inclusive sair mais cedo do trabalho e ir pra farra, sem que suas mulheres encham o saco. É o dia deles e ponto final.
Antes que perguntem, as mulheres não têm dia. Para as que já são mães, tem o mês de março em sua homenagem, mas nada que modifique as suas rotinas.
Fico sempre um pouco na dúvida sobre qual o olhar é o mais impactante, o primeiro que corresponde à descoberta ou o último, o da despedida.
Ao mesmo tempo que estou muito, mas muito mesmo, feliz de voltar para o meu mundo, queria um pouquinho mais disso aqui.
Segunda volto pra minha rotina e sei que Luanda estará, pelo menos por um bom tempo, do mesmo jeito: a cor laranja do barro, zilhões de antenas parabólicas adornando os peculiares prédios, o cinza das periferias, o sorriso e a miséria convivendo lado a lado, o céu inexplicável.
Tenho certeza que ao chegar irão me perguntar: e aí como é Luanda? E eu não sei responder. Parece louco, mas eu não sei responder. Minha vontade é dizer vá pra lá, teste os seus limites, a sua sensibilidade, a tolerância à frustração e às diferenças. Lance a câmera fotográfica na ânsia de captar absolutamente tudo e depois se olhe no espelho. Eu juro, não é a mesma coisa que fotografar o Museu de História Natural.
Luanda é pra ser digerida aos poucos, um lugar para ser revisitado várias vezes internamente e descobrir devagar as transformações que ela provoca.
Mas de uma coisa tenho certeza, vou sentir saudade de perguntar onde está o Osvaldo?
O mercado é um espaço de artesanato local e mais algumas coisas, dentre elas as tais camisas.
Por aqui é o homem que faz esculturas, pinturas e bijuterias.
Por falar em homem, toda sexta-feira é o Dia do Homem, o que significa que os sortudos podem fazer o que bem entender, inclusive sair mais cedo do trabalho e ir pra farra, sem que suas mulheres encham o saco. É o dia deles e ponto final.
Antes que perguntem, as mulheres não têm dia. Para as que já são mães, tem o mês de março em sua homenagem, mas nada que modifique as suas rotinas.
Fico sempre um pouco na dúvida sobre qual o olhar é o mais impactante, o primeiro que corresponde à descoberta ou o último, o da despedida.
Ao mesmo tempo que estou muito, mas muito mesmo, feliz de voltar para o meu mundo, queria um pouquinho mais disso aqui.
Segunda volto pra minha rotina e sei que Luanda estará, pelo menos por um bom tempo, do mesmo jeito: a cor laranja do barro, zilhões de antenas parabólicas adornando os peculiares prédios, o cinza das periferias, o sorriso e a miséria convivendo lado a lado, o céu inexplicável.
Tenho certeza que ao chegar irão me perguntar: e aí como é Luanda? E eu não sei responder. Parece louco, mas eu não sei responder. Minha vontade é dizer vá pra lá, teste os seus limites, a sua sensibilidade, a tolerância à frustração e às diferenças. Lance a câmera fotográfica na ânsia de captar absolutamente tudo e depois se olhe no espelho. Eu juro, não é a mesma coisa que fotografar o Museu de História Natural.
Luanda é pra ser digerida aos poucos, um lugar para ser revisitado várias vezes internamente e descobrir devagar as transformações que ela provoca.
Mas de uma coisa tenho certeza, vou sentir saudade de perguntar onde está o Osvaldo?
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