Hoje é o meu penultimo dia de viagem e com uma quase certeza acredito que não se pode falar sobre Luanda pelo olhar da escassez e sim do excesso. Tudo aqui é superlativo, forte, intenso.
Não existe mais ou menos: se você é rico, é rico mesmo e o oposto é desumano
Por outro lado, não tem como não se fascinar com um povo que ao ouvrir um simples Bom Dia, diz muito obrigado. Para o Luandense você realmente está desejando um bom dia para ele.
As pessoas são regidas por um tempo interno completamente diferente. O que está combinado para às 14:00 pode virar às 15:00 como às 12:00. E por conta disso a nossa pergunta diária é: onde será que está o Osvaldo, nosso motorista.
Hoje pela manhã fui a Talatona (claro que Osvaldo não chegou no horário combinado), bairro chique com um shopping que lembra o Barra Shopping. Porém, o caminho de volta de Talatona é por Rocha Pinto, periferia, sujeira, trânsito infernal e condições absurdas de sobrevivência.
Não sei se falei, mas Luanda parece um grande canteiro de obras. A Provincia está sendo construída e o povo está buscando ferozmente a construção de sua própria identidade. Jornais, programas de TV, conversas de rua, tudo gira em torno desta construção e da certeza de que a informação e o conhecimento são fundamentais neste processo.
Vi hoje uma reportagem na TV sobre um treinamento dado para parteiras. A parteira que estava dando aula para as demais falou uma frase que me marcou: nenhuma mulher deve morrer quando está dando a luz.
Mas isso não chega em Rocha Pinto, onde há o maior contingente da população. Nada chega nas periferias...
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